As feministas têm interesse num projeto de ciência sucessora que ofereça uma explicação mais adequada, mais rica, melhor do mundo, de modo a viver bem nele, e na relação crítica, reflexiva em relação às nossas próprias e às práticas de dominação de outros e nas partes desiguais de privilégio e opressão que todas as posições contêm. (Haraway, 1995, p. 15)

Episódios da quinta temporada:

Episódio 26
Episódio 27
Episódio 28
Episódio 29
Episódio 30

Nesta quinta temporada do Mundaréu seguimos conversando sobre pesquisas feministas em ciência e tecnologia na América Latina, especialmente a partir do Brasil, da Argentina e da Colômbia. Priorizamos pesquisas feitas sobre ciência e tecnologia a partir de Antropologias feministas antirracistas, interseccionais e decoloniais.

No campo dos estudos sociais das ciências, as pesquisas sensíveis às temáticas de gênero foram precursoras de abordagens teóricas e metodológicas inovadoras, que foram mais recentemente se consolidando nas diferentes disciplinas que o compõem: a situacionalidade do conhecimento (Harding, 1986, 2015; Haraway, 1995; Anzaldúa, 1987); a importância das materialidades na abordagem crítica sobre as ciências (Barad, 2007; Butler, 1993); a especificidade da América Latina na geopolítica mundial, e nos tipos de conhecimentos produzidos pelas universidades latino-americanas (Vessuri, 1987; Medina et. al., 2014; Pérez-Bustos, 2017; Roca, 2010; Rohden e Monteiro, 2019).

Ansiamos saber:

  • quais temas e recortes são priorizados por pesquisadoras da área;
  • como se negocia a perspectiva feminista no âmbito da pesquisa, como os resultados são produzidos e comunicados;
  • que limites e desafios têm sido enfrentados para assegurar o financiamento público das infraestruturas de formação superior e de pesquisa, bem como o fomento a pesquisadoras em formação na área;
  • em que medida o desenvolvimento científico e tecnológico atende a prioridades efetivamente coletivas, populares e locais;
  • como dialogam as pesquisas das áreas biológicas e exatas, e das humanidades e dos estudos sociais das ciências e das tecnologias.

Desejamos comunicar resultados, disputar sentidos, conversar com um público mais amplo e, ao mesmo tempo, trazer questões e demandas que também façam sentido localmente.

E fazer tudo isso partindo da transmidialidade do podcast: com som, voz, texto, histórias e emoções.

Mais informações:

Página da temporada.
Currículo Lattes de Daniela Manica.
Currículo Lattes de Soraya Fleischer.
MANICA, Daniela Tonelli; PERES, Milena; FLEISCHER, Soraya (Orgs.). No ar: Antropologia, histórias em podcast. Campinas/Brasília: Pontes Editorial e ABA Publicações, 2022.
FLEISCHER, Soraya; MANICA, Daniela Tonelli. “O podcast Mundaréu como uma experiência de antropologia pública“. Iluminuras 22(57), pp. 166-180, 2021.
FLEISCHER, Soraya. “O podcast como um local para fazer ouvir sua voz“. Prefácio do livro Feminismos e Podcasts. HACK, Aline (Org.). Blimunda, 2023.
MANICA, Daniela Tonelli. “Uma outra universidade é possível: afetos, política e agenda de vida“. Revista do Edicc, v. 6, p. 4-10, 2020.
FLEISCHER, Soraya. “Ciência é luta: Devolução das pesquisas sobre o Vírus Zika em Recife/PE”. Ilha – Revista de Antropologia 24, pp. 5-27, 2022.

Materiais extras:

ANZALDÚA, Gloria. Borderland/La frontera. São Francisco: Spinsters/Aunt Lute, 1987.
BARAD, Karen. Meeting the universe halfway: quantum physics and the entanglement of matter and meaning. Durham and London: Duke University Press, 2007.
BUTLER, Judith. Bodies that matter: on the discursive limits of sex. New York and London: Routledge, 1993.
HARAWAY, Donna. “Saberes localizados: a questão da ciência para o feminismo e o privilégio da perspectiva parcial”. Cadernos Pagu 5, pp. 7-41, 1995.
HARDING, Sandra G. The science question in feminism. Ithaca: Cornell University Press, 1986.
____. Objectivity and diversity: another logic of scientific research. Chicago: Chicago University Press, 2015.
MEDINA, Eden; MARQUES, Ivan da Costa; HOLMES, Cristina. Beyond imported magic: essays on science, technology and society in Latin America. Cambridge and London: The MIT Press, 2014.
PÉREZ-BUSTOS, Tania . “No es sólo una cuestión de lenguaje: Lo inaudible de los estudios feministas latino-americanos en el mundo académico anglosajón”. Scientiae Studia 15(1), pp. 59-72, 2017.
ROCA, Alejandra; VERSINO, Mariana. “Las políticas de ciencia y tecnología en la Argentina reciente (1983-2008). Los discursos de gestión y las prácticas de evaluación. Dossiê Sistemas Territoriais de Inovação e Políticas de C&T na América Latina”. Revista de Administração FEAD-MINAS 6(2). Minas Gerais: FEAD, 2010.
ROHDEN, Fabíola e MONTEIRO, Marko. “Para além da ciência e do anthropos: deslocamentos da antropologia da ciência e da tecnologia no Brasil”. BIB – Revista Brasileira de Informação Bibliográfica em Ciências Sociais 89, pp. 1–33, 2019.
VESSURI, Hebe. “The social study of science in Latin America“. Social Studies of Science 17(3), pp. 519–554, 1987.

Expediente:

Apresentação: Daniela Manica e Soraya Fleischer.
Projeto de pesquisa: Um mundaréu de histórias: Antropologia feminista da ciência e da tecnologia na América Latina (FAPESP)
Equipe do projeto de pesquisa: Daniela Manica, Clarissa Reche, Fernanda Mariath, Isabela Soares Pinto, Nicholas Simões Martins, Gabriel Marçal de Pereira (Unicamp); Alejandra Roca (Universidad de Buenos Aires, Argentina); Tânia Pérez-Bustos (Universidade Nacional da Colômbia); Soraya Fleischer, Camila Anselo, Joana Amaral, Luana Ainoã e Sabrina Neves (UnB).
Coordenação do projeto de pesquisa: Daniela Manica.
Financiamento: FAPESP Processo No. 2022/05943-0.
Música: “Já foi” de Janine Mathias.
Imagem do header: Campus da UFMT. Foto de Soraya Fleischer, outubro de 2023. Nesta temporada, as fotos serão de imagens deixadas pelas paredes, muros, prédios nos campi e cidades visitados durante a produção do Mundaréu.
Conteúdo do sítio eletrônico: Soraya Fleischer e Daniela Manica.
Divulgação: Equipe do Mundaréu.
Coordenação do Mundaréu: Daniela Manica e Soraya Fleischer.

Agradecimentos: Janine Mathias, Sarah Azoubel, LABJOR/Unicamp, FAPESP, CNPq, Rádio Kere-Kere. E à criativa equipe do Mundaréu da UnB e da Unicamp.

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