O Citosol

11 de Março, 2026

Até agora, nosso percurso pela célula se aproximou mais de uma corrida de obstáculos. No Núcleo, esbarramos nas limitações de se atribuir sexo e gênero a uma célula. Mas também nadamos em possibilidades para contorná-las, como o conceito de sexo contextual proposto pela professora Sarah Richardson. Nos perdemos no Retículo Endoplasmático, dando de cara com vários becos sem saída. Principalmente, na falta de rigor das publicações científicas. Nos frustramos ao perceber que células de uma mulher negra, as células HeLa obtidas sem consentimento de Henrietta Lacks, sempre estiveram no centro da experimentação com células. E isso não garantiu o endereçamento dos interesses das mulheres na pesquisa biomédica, especialmente, das mulheres negras. 

Mas a gente continua agarrada na discussão de diferenças entre os sexos. O principal impacto dessa política de inclusão de modelos femininos foi o aumento desse tipo de publicação, que compara um modelo feminino a um modelo masculino. Será que não acrescentaram a isso nenhum direcionamento para resolver as iniquidades na saúde entre homens e mulheres, como essa política prometia? 

Nesse momento, estamos agarradas também a uma proteína, sintetizada a partir de um trecho de um cromossomo sexual. Somos carregadas no interior de uma vesícula pelo citosol. O citosol é o líquido gelatinoso que preenche toda a célula, como a clara do ovo. É nele que ficam as organelas e partes celulares imersas. E aqui estamos, boiando nele suspensas, no interior de uma pequena bolsa em movimento, juntas da proteína. Quantas voltas serão necessárias para encontrarmos uma saída? 

Bora dar umas voltas pelo Citosol?

 

Mais Informações

Transcrição completa do episódio

Currículo Tais Hanae Kasai Brunswick

Currículo Sarah Richardson

Site GenderSci Lab

 

Materiais Extras

Política “Sexo como variável biológica” do Instituto Nacional da Saúde dos Estados Unidos 

MANICA, Daniela Tonelli; ASENSI, Karina Dutra; MAZZARELLI, Gaia; et al. Gender bias and menstrual blood in stem cell research: A review of pubmed articles (2008–2020). Frontiers in Genetics, v. 13, 2022. 

WOITOWICH, Nicole C; BEERY, Annaliese; WOODRUFF, Teresa. A 10-year follow-up study of sex inclusion in the biological sciences. eLife, v. 9, p. e56344, 2020.

BEERY, Annaliese K.; ZUCKER, Irving. Sex bias in neuroscience and biomedical research. Neuroscience & Biobehavioral Reviews, v. 35, n. 3, p. 565–572, 2011.

BALASSA, Katalin; ANDRIKOVICS, Hajnalka; REMENYI, Peter; et al. Sex-specific survival difference in association with HLA-DRB1∗04 following allogeneic haematopoietic stem cell transplantation for lymphoid malignancies. Human Immunology, v. 79, n. 1, p. 13–19, 2018.

Richardson, Sarah S. Sex Contextualism. Philosophy, Theory, and Practice in Biology 14, 2022.

ROHDEN, Fabíola. Uma ciência da diferença: sexo e gênero na medicina da mulher. 2nd. ed. Rio de Janeiro: Fiocruz Editora, 2001. (Coleção antropologia e saúde). 

SCHIEBINGER, Londa L. O feminismo mudou a ciência? Editora da Universidade do Sagrado Coração. Bauru, 2001.

ZHAO, Helen; DIMARCO, Marina; ICHIKAWA, Kelsey; et al. Making a ‘sex-difference fact’: Ambien dosing at the interface of policy, regulation, women’s health, and biology. Social Studies of Science, v. 53, n. 4, p. 475–494, 2023.

Greenblatt, David J., et al. Zolpidem and Gender: Are Women Really At Risk? Journal of Clinical Psychopharmacology, vol. 39, no. 3, 2019.

 

Expediente de Produção

Coordenação geral do Mundaréu: Daniela Manica
Equipe Mundaréu: Daniela Manica, Clarissa Reche, Fernanda Mariath, Irene do Planalto Chemin, Igor Pereira e Maxie Viana
Coordenação da série “Feminista In Vitro”: Fernanda Mariath e Daniela Manica
Resultado da  dissertação de mestrado em Divulgação Científica e Cultural (Labjor/IEL, Unicamp): “Feminista In Vitro: Situando sexo e gênero na pesquisa biomédica com células-tronco” (CAPES Processo: 88887.826615/2023-00, código de financiamento 001), defendida por Fernanda Mariath e orientada pela professora Daniela Manica
Projeto de jornalismo científico: “Amplificando um Mundaréu de sons feministas: projeto multimodal de jornalismo científico e divulgação científica” (FAPESP 2025/16311-2) e “Um Mundaréu feminista: projeto multimodal de jornalismo científico e divulgação científica” (FAPESP 2024/15321-1), sob responsabilidade de Fernanda Mariath e supervisionado pelas professoras Daniela Manica e Germana Fernandes Barata (Unicamp)
Projeto de pesquisa relacionado: “Corpo, gênero e tecnociências: as “células-tronco” do sangue menstrual” (FAPESP 2018/21651-3)
Equipe do projeto de pesquisa relacionado: Daniela Tonelli Manica (investigadora principal), Germana Fernandes Barata, Karina Dutra Asensi, Marko Synésio Alves Monteiro, Regina Coeli dos Santos Goldenberg e Simone Pallone de Figueiredo
Pessoas entrevistadas: Amiel Modesto Vieira, Aryella Maryah Couto Correa (IOC/FIOCRUZ), Bruno Paranhos (UFRJ), Daniela Tonelli Manica (Unicamp), Hannah Cowdell (University of Exeter, Inglaterra), Julia Helena Barros (UFRJ) , Karina Dutra Asensi (UFRJ), Malin Ah-King  (Stockholm University, Suécia), Regina Coeli dos Santos Goldenberg (UFRJ), Sarah Richardson (Harvard, Estados Unidos) e Tais Hanae Kasai Brunswick (UFRJ)
Link no Repositório de Dados de Pesquisa da Unicamp: https://doi.org/10.25824/redu/HXWSLR 
Entrevistadoras: Fernanda Mariath e Daniela Tonelli Manica
Montagem e edição dos episódios: Fernanda Mariath 
Transcrição completa do episódio: Fernanda Mariath 
Revisão da transcrição do episódio: Maxie Viana

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